Bebês fazem cocô e xixi na barriga da mãe? É perigoso? 13



Assim que o aparelho urinário do bebê se desenvolve, a partir do quinto mês de gestação, ele passa a fazer xixi dentro do útero da mãe sempre que sentir vontade.
Mas não precisa ficar com nojo: o xixi de um feto é muito diferente da urina de um adulto, ou até mesmo de uma criança já nascida. Ele é praticamente composto de água. O xixi é resultado da ingestão do líquido amniótico que o envolve - um composto nutritivo e livre de bactérias que contém água, sódio, cloro e outros minerais que ajudam no desenvolvimento do bebê em gestação.
O líquido faz o caminho normal: engolido pela boca, vai para o estômago, entra na corrente sanguínea, é filtrado pelos rins, desce para a bexiga, e a uretra o elimina. O xixi fará parte do líquido amniótico. E ele vai beber isso de novo várias vezes por dia.
Dá para perceber uma parte desse processo através do ultrassom: uma mãe sortuda pode ver seu filho fazer xixi antes mesmo de ele nascer. O aparelho tem a capacidade de mostrar a bexiga cheia. Se a bexiga esvaziar-se, é sinal de que o bebê fez xixi na frente das "câmeras".
Fetos também produzem secreções que podem ser nocivas, como a ureia. Só que ela não sai pelo xixi - o bebê elimina essas substâncias através do cordão umbilical - um canal de passagem de sangue entre ele e a mãe. Toda essa "sujeira" fará parte, na verdade, do xixi da mãe. Diariamente, ela elimina cerca de 500 ml de substâncias expelidas pelo bebê.


As fezes

Ufa, bebês não fazem cocô enquanto estão no útero. O que acontece no intestino de um feto é a formação de mecônio - um liquido viscoso, pegajoso e esverdeado, cheio de ingredientes que serão eliminados assim que o bebê nascer - ou um pouco antes.
Conheça os "ingredientes" do mecônio:
  • Secreções do intestino
  • Restos celulares da escamação da pele do bebê que ele engole
  • Algumas substâncias do suco gástrico
  • Substâncias eliminadas pelo pâncreas
  • Um pouquinho de muco
  • Bastante água
O mecônio tem a função de lubrificar as paredes do intestino, evitando que elas se grudem durante a gestação.
Se o bebê eliminar o mecônio bem antes de nascer, é preciso ficar alerta. Isso pode ser um sinal de que o feto está passando por algum tipo de sofrimento intra-uterino, e tem dificuldade de oxigenação. O organismo dele responde aumentando os movimentos peristálticos do intestino - aqueles que não conseguimos controlar, e que ajudam a eliminar as fezes. O esfíncter (que controla a abertura do ânus) relaxa-se e o mecônio sai.
Quando a bolsa se rompe é quando geralmente os médicos descobrem se o mecônio foi eliminado. Eles analisam a aparência do líquido amniótico: se estiver escuro demais, é sinal de que muito mecônio saiu e que é preciso monitorar o bebê com atenção. Os batimentos cardíacos dele devem ser observados: se a frequência cai, o parto deve ser realizado com urgência.
Nem sempre eliminar o mecônio leva a uma situação de perigo. Um feto maduro, com o organismo em pleno funcionamento, pode eliminá-lo sem que ele esteja sofrendo. Neste caso, é importante limpar o bebê no momento em que ele nasce. Se inalado, o mecônio pode causar a síndrome de aspiração de mecônio. É uma insuficiência respiratória que pode levar à pneumonia química e ao desenvolvimentismo de complicações respiratórias.